A necessidade de datas, fatos , puros artifícios para prolongarmos o nosso estado de medíucridade, a ausência de um sentido para nossa existência nos obriga a sustentar-nos em pilares  imaginários e ofuscantes  construídos por mentiras e ilusões

Os fogos de artíficio iluminaram o céu da madrugada do dia 31, havera risos falsos, promessas que se dispersaram no clamor do alcool, pedidos serão feitos às mais diversas divindades, banharemos nossos corpos cansados nas águas salgadas do mar, nos sentiremos bem, puros e dignos, porque agora virá outro ano, alimentaremos ilusões e mágoas passadas, mas isso tudo é esquecido nesse momento ridículo e carnavalesco, onde somos personagens de um teatro da mais pura comédia humana. Sim, haverá a ceia, alimentaremos nosso corpo com gorduras das mais diversas naturezas, enquando a  agitação pelas ruas é intensa, permanecemos a comer e comer, como loucos famintos, animais, porcos. Dormiremos um sono tranquilo, mas por causa no enibriante poder do álcool e do peso da alimentação, o dia acabará, e assim perpetuaremos nossos erros e desilusões, fracassos e perdas,mas sempre haverá outro dia 31, com alcool, risos e fogos............

Caminhava pela aquela estrada a dias, na sua volta a mata apresentava seus mistérios, era densa e fechadas, e constantementes ocorria algum barulho de natureza desconhecida, quando caia a noite era possível ouvir diversos sons de animais que não era possível distinguir, mas a sensação era aterrorizadora, o céu permanecia fechado durante toda a viagem, e as nuvens pareciam que se moviam numa velocidade assustadoramente veloz, as nuvens adquiriam uma coloração meio rubra, avermelhada, as árvores com seus galhos secos e retorcidos profetavam sombras distorcidas sobre o chão lamacento. Num determinado instante, vi diante dos meus olhos um figura que permanecia indistinta devido a intensa neblina que havia naquele cenário, no momento fiquei paralisado por uma estranha sensação, não era medo, era pura curiosidade mórbida e doentia, quando os contornos da figura se tornaram mais nítidos, pude perceber a sua feição, era um rosto velho, com uma barba rala, cabelos de médio comprimento, andava de maneira cansada e lenta, chegou em minha frente, e disse em voz trêmula e ofegante,

- Estava te esperando a anos, você demorou, mas está aqui, não é como eu esperava, mas sinto que é você

Eu respondi em tom de conciliação

- Como assim? Não posso ir com o senhor, não o conheço

Ele disse olhando profundamento em meus olhos amedrontados

- Você me conhece sim pobre rapaz........

E essa foram as últimas palavras que ouvi, senti uma grande pancada sobre a cabeça, e apenas me lembro de algumas visões distorcidas do caminho pelo qual era levado..................

 Aquela agitação que se fazia presentes nas ruas sujas e melancólicas, havia intensa iluminação por parte dos anúncios luminosos em cores gritantes que anúnciavam os prazeres do sexo e da jogatina. As pessoas com as mais diferentes aparências circulavam em ritmo intenso sempre a rir, os comerciantes em tentativas incesantes procuravam verder seus elixirs e fórmulas secretas para a juventude e coisas do gêneros, era um ambiente tentador e incrivelmete mágico, mal podia perceber, minha pobre e fraca consciência, de que aquele lugar era apenas fruto da minha mente pertubada e inquieta,mas era deliciosamente real aquele momento.

As lágrimas, de forma infantil desçem o pequeno e delicado rosto, as mãos trêmulas seguram a pequena cabeça, as pessoas passam indiferentes, distraidas, ocupadas, a pobre criança chora convulcionamente e desesperadamente, uma senhora de baixa estatura e voz suave se aproxima da criança, e num gesto impulsivo a abraça de forma intensa, ambas caem num pranto infantil e ingênuo, a velha nunca tivera filhos, a criança acabara de perder a mãe................

As folhas das árvores balançam suavemente e despreocupadamente com o leve sopro dos ventos, eu permaneço deitado na grama seca a olhar distraidamente os desenhos sem sentido que as nuvens fazem no céu, ela se atira as águas do rio...................

O desejo, de unir , de conheçer, de encontrar, de  apreender, tanto a apreender, tanto a ensinar, o tempo é curto, a vida escoa, o instante dilui-se

fluir, como a agua, num ritmo lento e constante, sempre sem forma, sem cor, nem cheiro, sem gosto, fluir apenas, escoar, pelas mãos, pela vida, pelo universo a fora

 

Num lugar qualquer, num tempo indeterminado, num instante impreciso caminho a passos largos e vagos
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